Conduta poética
Diriam outrora que brinco as palavrasQue as jogo no texto testando estruturasTexturas em vão quão fatos sem nexoQue expresso-me mal por ser tão complexoConfesso até não fazer letras diretastão retas feito entrelinhas de montagemQue agem em cópia como fossem novidadeum traslado, tão supérfluo, sem verdadeEu pressinto e repudio ramerrõesMas os versos, seus sentidos, como vêmsão paridos, não cuspidos! meus torrões...Pois as letras só me brotam em sentimentoDo momento do suspiro ao desabafoQue acato, não combino, apenas retrato.
Re-sentir
A lua torta que eu matei não era a tuaera resquício me cerceando a alma cruaA rua morta e aquela porta já não importamAquela grota de um terreiro escura e fundajá enterrou o coração que não me tocaSaiu da toca que eu mesmo fiz foi tua luaQuando a toquei na rua aberta da porta nuaE essa lua que já é tua e é tão cheianão me cerceia e não sufoca e entremeiaas velhas crostas de antiga alma reaquecidaSe o meu sorriso te encantou, me encanta o teupois eu só rio pra ver brilhar o teu olhartão sorridente, traduzido em gargalharcontemplação que distraído olhar jamais leupois não entendeu que é preciso espelhar
Dessentir
Lua torta rua morta tua portao que me importa?Se eu nem sei na lua escura qual é a tua porta?!...se a rua fosca nem mesmo teve seu funeral?!...e a lua nem sempre é redondinha mesmo?!...A lua torta feito fatia de melanciadelicia a boemia dos românticosnum cântico semântico de uma lamparina celestial.A rua morta que nada a corta é meio tortamas não se corta é meio curta e pouco entortamas é escura é quase estreita é meio morta.E a tua porta, se é que importa, também é torta?é tão escura quanto ao jardim que nada brota?ou é você que se trancou um pouco morta?Naquela grota no seu terreiro escura e fundavocê escondeu o coração temendo medose fez segredos dos seus sentires pros seus pensares.Mas os pesares do seu pensar sem seu sentirfazem surgir as decisões mais desumanastão soberanas da razão mais egoísta.Tua porta rua torta lua mortajá nem me importa...
Vamos, poeta!
Vamos, poeta! Vamos!A caneta está à espera de suas ordenso papel está pronto para se manchar de inspiraçãoou de expiração do amontoado de inquietaçõesque escondes de todos, até de sie que percussionam em alegrias, em tristezascom a destreza das alergias, das brotoejasVamos, poeta! Desembucha!Saia da inércia e da apatia que te empacamNão ouse tornar-te cadáver sem a morte corporalExponha essas mazelas que são suasLiberte os sentimentos, que hibernam, decadentesMostre os dentes e destrua a carcaçadesta crosta que erguestes no teu peitoVamos, poeta! Saia e viva!Desabriga essas angústias rotineirastão faceiras e mordazes inquilinasmas franzinas se igualadas às de outro tempoDeporte de si mesmo os velhos medosnão é segredo que há janelas pra derramá-losHaja nelas trancas, destranque-asVamos, poeta! Poetize!