Vamos, poeta!

Vamos, poeta! Vamos!
A caneta está à espera de suas ordens
o papel está pronto para se manchar de inspiração
ou de expiração do amontoado de inquietações
que escondes de todos, até de si
e que percussionam em alegrias, em tristezas
com a destreza das alergias, das brotoejas
Vamos, poeta! Desembucha!
Saia da inércia e da apatia que te empacam
Não ouse tornar-te cadáver sem a morte corporal
Exponha essas mazelas que são suas
Liberte os sentimentos, que hibernam, decadentes
Mostre os dentes e destrua a carcaça
desta crosta que erguestes no teu peito
Vamos, poeta! Saia e viva!
Desabriga essas angústias rotineiras
tão faceiras e mordazes inquilinas
mas franzinas se igualadas às de outro tempo
Deporte de si mesmo os velhos medos
não é segredo que há janelas pra derramá-los
Haja nelas trancas, destranque-as
Vamos, poeta! Poetize!

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