quinta-feira, dezembro 15, 2005

Chuva na alma


Esses dias, minha alma está molhada
enxurradas de prefácios melancólicos
inundam cada átomo que me constitui
um pouco mais e minha alma ficará mofada
Não há tempo de secá-la
a torrente úmida de ansiedade não cessa
numa pressa desorganizada de antever
o que não se pode prever sem calma ordenada
rios de expectativas quase desesperadas
formam uma bacia hidrográfica na minha alma

Há uma enchente na minha alma
são muitas as esperanças desabrigadas
algumas das minhas pobres alegrias
perderam quase tudo
as minhas vazantes de repúdio natalino
estão tornando-se mazelas fluviais
que percorrerão páscoas e juninas
e cuspirão em carnavais de anos novos

Minha alma está encharcada
nem posso mais torcê-la
sequer posso torcer para que seque
nem tampouco enxugá-la com alento artificial

A alma necessita de um pouco de umidade
mas quanto mais se molha a minha alma
mais cresce o opérculo fungiforme
que impede a entrada do sol do equilíbrio

Minha alma pode apodrecer... preciso secá-la!