inexista

verme que me corrói
destrói meus passos
paralisa minhas caminhadas
desprezível ser efêmero
que se eterniza em meu antro corpóreo
deixe-me em paz!
repugnante organismo maléfico
que impede o meu apetite de viver
degenere-se, oh, meu verme sepulcral
não condene minha consciência com penumbras
deforme-se, oh, monstro de conceitos pérfidos
mude-se com seus resíduos pegajosos
para longe da fragilidade de minh’alma
exilo-te, oh, exorbitante verme
cognominado vergonha
ruborizo-me por ainda sentir-te
em meu longínquo inconsciente
quimera viver sem ti, vermiculado imortal
inexista!
não,
espere!
inexistindo, o meu escrúpulo também inexistiria?
não,
eu o conservo
então,
inexista, imobilizante armadilha
prefiro imoralidades e vida mundana
a estagnar-me nas suas cruéis ciladas...

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