domingo, novembro 27, 2005

inexista


verme que me corrói
destrói meus passos
paralisa minhas caminhadas

desprezível ser efêmero
que se eterniza em meu antro corpóreo
deixe-me em paz!

repugnante organismo maléfico
que impede o meu apetite de viver
degenere-se, oh, meu verme sepulcral
não condene minha consciência com penumbras
deforme-se, oh, monstro de conceitos pérfidos
mude-se com seus resíduos pegajosos
para longe da fragilidade de minh’alma

exilo-te, oh, exorbitante verme
cognominado vergonha
ruborizo-me por ainda sentir-te
em meu longínquo inconsciente
quimera viver sem ti, vermiculado imortal
inexista!

não,
espere!

inexistindo, o meu escrúpulo também inexistiria?
não,
eu o conservo

então,
inexista, imobilizante armadilha
prefiro imoralidades e vida mundana
a estagnar-me nas suas cruéis ciladas...