domingo, dezembro 04, 2005

Eclíptico


Em meio à turbulência
dessa vida tão efêmera
dessa rota que não volta
e do porto tão almejado, eclipsado
me deparo com o lampejo, tão evitado
me confronto com este ser de tantos junhos
e que juro já não o conheço
e até me esqueço, de tão espesso
que há muito não sou eu, mas meu esboço.

Nebulosas, constelações e esta lua
Lua cheia, sufocada nesta sombra
num instante é minguante
um filete luminoso, noutro some
me remete ao pensamento, até lento
que eterno posso ser, de pausa em tempo.

E esse espectro que se forma em teu lugar
lua cheia de sumiço passadiço
Antes disso, dessa certeza de minha hora incerta
quero brilhar como há pouco fostes luz
quero iluminar tal e qual teu reflexo do infinito.

Pois meu grito ainda paira em meus ombros
meu assombro futuroso se revela
meu eclipse dura mais que teu soluço
e minha alma se estremesse em futurar
minha sina porvindoura e obscura.

(sob o eclipse lunar de 15/05/03)

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Orgulho-me de te ler assim...ilustrado.

... e, lendo cada palavra daqui, sinto tanto sua falta...falta de voz.

Ando ausente...ausente de mim...doente da alma.

Talvez esteja revivendo as melancolias da adolescencia... por não querer crescer...

...saudades!
=^*

quarta-feira, 07 dezembro, 2005  

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