terça-feira, março 06, 2007

Eu líqüido


Constantemente me vejo como água
muitas vezes calmo quase água parada
ora manso quase sem pensamentos
ou suave em lembranças amenas

ora arisco entre episódios turvos
e sujos caldos no cérebro circulantes
nos semblantes dos regatos cristalinos
me torno em rio, sorrio, arrepio

É a gravidade do tempo a me puxar
me debato em cachoeiras nas pedras
ralo-me todo em cascatas e curvas

me sublimo em nuvens carregadas
me rebento em chuvas, a desaguar
espumante, liqüefeito, em águas do mar.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

E a gente assim....desfazendo-se e juntando-se, no fim.

Esvaindo-se para sabe-se lá onde...

d^_^b

Saudades

terça-feira, 06 março, 2007  
Blogger Unknown said...

Belas metáforas... nunca tinha pensado na água dessa maneira.
Abração, meu velho.

quarta-feira, 07 março, 2007  

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