sexta-feira, maio 19, 2006

Saudades (Efeitos tridimensionais)


Liqüidifico meu cérebro
em questões miúdas, desvairadamente
e a mente escorre, assim, demente.
Pulmões apertados, secos
nos becos da artéria carbonizada
na pilhéria do suposto respirar.

Saúdo as saudades que agonizam o coração:
_ Perdão, sr. espaço, pela distância!
Na ânsia coxa de separação dirimir
e permitir faxina nessa alma encardida
quase perdidas ficam as forças, as esperanças.

Na dança sincopada de tantas lembranças
meu ser não se cansa de iníqüas incertezas
com o espírito nômade, volúvel, volátil.
De praxes seculares, me faço adverso
reverso ao pragmatismo, pouco ou nunca discutido
e reurdido pelas atuais gerações, imbecilizadas.

Malfadado, nem a desoras vejo o paraíso
e mantenho o sorriso para me resguardar
da densa nuvem torpe que vive a me rondar.
Fujo, então, para as recordações da amada
e nesse ensejo nada me faz esmorecer
ou perecer no calvário da rabugice.

quarta-feira, maio 03, 2006

Textura da música


Burburinhos, gritos, berros, paz
tanto faz...
como se faz o início
Melhor é quando muda e vai
toma forma, cor e não pára mais

Explosões, sussurros, guerra, doidice...
uma pitada de tolice e ensandices
e o que mais para um estampido de cores?
amores, talvez! constelações de sentimentos
que acalmam ou agitam a alma

Pancadas tranqüilas, murmúrios nervosos
pio sinfônico, vórtices de ruídos sincronizados
e eternizados por penas astutas
de gênios batutas,
que - para os seis sentidos
e sentindo a alma clamar
por amar ou querer mais amores -
fizeram sinfonias urdidas em tato, audição, cores...