domingo, novembro 27, 2005

Reflexo obscuro


Estou vendo teus pensamentos
tu que me olhas agora,
Estou vendo teu sorriso inocente
aquele meio aparvalhado
Vejo tua respiração espalhada
teu cinzeiro variegado
Vejo tua bagagem de prefácios
e tuas seitas internas em conflito eterno

Ouço verbos jactados da tua alma
e o temor de versos hircosos
Ouço o prazer de tuas lembranças
e as essências fragilizadas
Ouço excessivos pensamentos espirrados
espalhando névoa alienada
Ouço a clareza da tua alma
e os teus conflitos abstratos

Sinto teu coração apressado
como tambores de tribos selvagens
Sinto teu sangue a pulsar
e o sexo estampado nos olhos
Sinto tua imagem refletida
no espelho, vôos interminantes
Sinto o esboço desta solidão
no espelho, alucinado

inexista


verme que me corrói
destrói meus passos
paralisa minhas caminhadas

desprezível ser efêmero
que se eterniza em meu antro corpóreo
deixe-me em paz!

repugnante organismo maléfico
que impede o meu apetite de viver
degenere-se, oh, meu verme sepulcral
não condene minha consciência com penumbras
deforme-se, oh, monstro de conceitos pérfidos
mude-se com seus resíduos pegajosos
para longe da fragilidade de minh’alma

exilo-te, oh, exorbitante verme
cognominado vergonha
ruborizo-me por ainda sentir-te
em meu longínquo inconsciente
quimera viver sem ti, vermiculado imortal
inexista!

não,
espere!

inexistindo, o meu escrúpulo também inexistiria?
não,
eu o conservo

então,
inexista, imobilizante armadilha
prefiro imoralidades e vida mundana
a estagnar-me nas suas cruéis ciladas...

Hiato em minha criação

Entre o branco total e a plena escuridão, há a vasta gama de cores das mais diversas, as quais representam (ou não) o equilíbrio, ou o desequilíbrio multifacetado em loucas criações que advêm da mais inescrupulosa presunção de criar algo que toque as pessoas na intenção egoísta de chamar a atenção pra si mesmo; ou pode se considerar um pedido de socorro solitário que sempre é regurgitado pela mais profunda e oculta melancolia, que o possuidor não pode admitir possuí-la!