Reflexo obscuro

Estou vendo teus pensamentos
tu que me olhas agora,
Estou vendo teu sorriso inocente
aquele meio aparvalhado
Vejo tua respiração espalhada
teu cinzeiro variegado
Vejo tua bagagem de prefácios
e tuas seitas internas em conflito eterno
Ouço verbos jactados da tua alma
e o temor de versos hircosos
Ouço o prazer de tuas lembranças
e as essências fragilizadas
Ouço excessivos pensamentos espirrados
espalhando névoa alienada
Ouço a clareza da tua alma
e os teus conflitos abstratos
Sinto teu coração apressado
como tambores de tribos selvagens
Sinto teu sangue a pulsar
e o sexo estampado nos olhos
Sinto tua imagem refletida
no espelho, vôos interminantes
Sinto o esboço desta solidão
no espelho, alucinado

